A todas as pessoas que poderão vir a ler isto, sejam eles amigos, conhecidos, estranhos, amantes, inimigos, curiosos. Todos os que existem e podem existir. Todos que já não existem, enquanto seres vivos. A todos, todos, todos: Muito obrigado. Obrigado por serem quem são.
Como devem ter reparado, os meus posts têm sido escassos. Desde o início do ano que tenho revisto tudo aquilo que sou, tudo aquilo que quero ser. Os meus ideais, as minhas ambições. Desde que me conheço, que tenho feito esta busca interna por ser algo, algo mais do que aquilo que sou. Tento resistir, por vezes sem sucesso, aos meus próprios impulsos, ao meu próprio ser. Sonho com um mundo melhor, e quero fazer parte dele. Quero ser alguém que ajudou a construir esse mundo. Infelizmente, nem sempre é fácil, e é preciso muita força, muita resistência para conseguir ser-se fiel, durante todo o tempo, àquilo que ambicionamos. Eu nunca fui possuidor dessa força. Nunca me conformei com o estado das coisas, mas nunca me conformei com o meu próprio estado também. Estranhamente, isso não levou a nenhuma acção por minha parte. Tornei-me uma casualidade da desistência que deixou o mundo na miséria que ele é hoje.
Ser Livre não é fácil. Ser Livre é carregar o pesado fardo da responsabilidade, é ter sempre à espreita as consequências de qualquer decisão. Ser Livre não é estar liberto de tudo. Bem pelo contrário. Ser Livre é estar preso a tudo aquilo que faz de nós seres humanos bondosos: atenção, afecto, responsabilidade, respeito, educação, amor. Amor sem Liberdade não passa de falsidade. Mas Amor com Liberdade não é passe livre para fazer asneiras, mas sim amar de tal forma alguém que nos propomos, voluntariamente, a menosprezar os nossos instintos egoístas e pôr o conjunto, o fruto do Amor verdadeiro no centro da nossa existência. Não há exigências no Amor verdadeiro. Não há como quebrar regras, pois não há regras. Há erros, há problemas. Mas não há nenhum contrato social para solucionar esses problemas. Tentar fazer do Amor apenas estatuto, compromisso ou obrigação é violar a Liberdade do Amor de se expressar enquanto sentimento puro. Não há muito amor genuíno. Nem eu próprio sei se o conheço, de facto. Mas só por ser Livre de o exercer, já estou preso a ele. E dói, estar preso. Porque o Amor é apenas o expoente máximo de algo, de uma força que supera o instinto egoísta do ser humano. Há tantas outras coisas que nos prendem, exactamente pelo facto de sermos Livres.
É exactamente isso. Ser Livre, é sentir os sentimentos com toda a sua força. O verdadeiro respeito só pode nascer da Liberdade de poder respeitar, sem restrições ou obrigações. A verdadeira educação só pode nascer da Liberdade de querer e poder ser educado, não das vontades de terceiros, nem de uma necessidade social. E quando é de nós que parte todas as decisões, é a nós que nos cabe as consequências. O titânico fardo de ser Livre. Mas também a sua bênção.
Porque quem não é Livre, não sabe o que é Responsabilidade.
Porque quem não é Livre, não sabe o que é Respeito.
Porque quem não é Livre, não sabe o que é Amor.
Eu não era Livre. Sempre estive preso a dogmas, a noções pré-feitas sobre o que é, e o que não é. Fui Anarquista, Comunista, Fascista, Egoísta, Idealista, sem saber o que é ser Livre.
Descobri a Liberdade aos poucos, ao mesmo tempo que ia descobrindo a essência de mim mesmo. Criei sentimentos novos, descobri que a intensidade das emoções eram completamente diferentes daquela que eu pensava. Só passei a ser Humano quando descobri que era Livre. E só descobri que sou Livre, a 100%, há poucos dias. No ultimo ano fui parcialmente Livre, mas prendi-me a uma noção errada, um pequeno erro que punha em causa tudo aquilo que eu defendia. Porquê?
Porque eu não compreendia a noção básica de felicidade. Eu não compreendia a noção básica de Amor. Eu sabia o que eram, mas não sabia de onde vinham. Agora sei: Eles emanam da própria Liberdade. Felicidade pura não é limitadora. Amor puro não é limitador. A infinitude de ambos prende-se com a raridade dos mesmos. Ser feliz não é esquecer os problemas, amar não é esquecer os problemas. A Felicidade não é um oposto. A Felicidade é algo único, impossível de capturar. O Amor é algo único, não há nada que se oponha. Tristeza e ódio são apenas isso, tristeza e ódio. Ser Feliz não é o mesmo que não estar triste. E isso é algo que eu tive muita dificuldade em assimilar. Porque não era Livre, espiritualmente, de poder aceitar isso.
Por isso tenho que agradecer a todos. Todos os seres que existem, por fazerem de mim um ser Livre. Eu tenho medo de muito. Tenho medo de não existir, tenho medo que não exista ninguém, tenho medo de morrer, e medo de perder alguém. Mas não é o meu medo que me vai limitar a Liberdade. Nada pode limitar a Liberdade.
Pois apenas sendo Livres é que podemos ser, de facto, Seres Humanos completos.
Há 3 meses, quase 4, que me venho a debruçar sobre esta questão. A pensar onde reside a falha na minha teoria. E, incrivelmente, foi num momento em que me desliguei do pensamento que obtive a resposta. E essa revelação foi importante, pois tenho passado muito tempo sem vontade, desmotivado. Com vontade de desistir da luta que jurei lutar.
Mas não mais. Graças a todos os seres que existem, não enquanto seres vivos, mas enquanto memórias, enquanto acções, eu posso ser Livre. Foi preciso esfregar a cara nisso para perceber onde eu estava a falhar. Mas agora percebi. Algumas pessoas foram mais marcantes que outras, e a elas eu devia agradecer pessoalmente. Mas ainda sou refém da minha timidez, e prefiro deixar isso no ar. Mesmo que essas pessoas não saibam quem são, ou nunca venham a ler isto (algumas vão, acredito): Eu agradeço, do fundo do coração. Tudo que eu fizer de bom nesta vida será fruto da vossa bondade. Fruto da vossa Liberdade. Posso não viver para sempre, mas estás palavras ficam marcadas a tinta permanente. Porque o nosso corpo não passa de um vassalo da nossa Liberdade, porque as acções efectuadas por um ser Livre duram para sempre, tornando assim a nossa existência eterna.
Aprendi com alguns que a vida é curta, e que é preciso usufruí-la ao máximo. Viver. Ser Livre. Mas os nossos actos? Esses vão durar para sempre. A vossa bondade, ao me auxiliar a descobrir a Verdade sobre a Liberdade, é eterna.
Vocês são finitos. A vossa Liberdade é infinita.
Muito obrigado a todos.
Eu tenho sérios problemas com esta altura do ano, mas isso já todos sabem e não é disso que pretendo falar hoje. Se há uns infelizes que se aproveitam da data para enriquecer, para enganar e tudo mais, é algo que vamos resolver no próximo ano.
A realidade tem-se tornado cada vez mais fria. A esperança tem abandonado todos nós, que somos vítimas da Economia, da poluição, da guerra, da criminalidade. O mundo está a aquecer, mas a fé, a vontade de mudar está a congelar. As mensagens negativas acumulam-se em frente aos nossos olhos, no telejornal e na rua por onde passamos todos os dias. Vemos mendigos e bandidos, professores desesperados e licenciados desempregados. O varredor de rua, o operário, o caixa do supermercado estão esquecidos na sua pequena insignificância, a fazer o papel de figurante neste planeta que não deixa de rodar. A nossa Liberdade a ser cortada a troco de “segurança” e “estabilidade”. E depois pedem-nos para esquecer tudo, com imagens coloridas e filmes natalícios. Mas a realidade é que os problemas não somem, e todos nós sabemos disso. Mas temos que fingir que está tudo bem, porque o Espírito de Natal assim o exige.
E isso deixa-me triste. Somos Humanos, não temos que fingir nada. A tristeza é uma emoção que não pode ser oprimida. Mas não podemos permitir que haja tristeza também! Todos devem ser felizes, é por isso que estamos vivos, é por isso que vamos trabalhar e estudar. A Felicidade impera. E isso é algo que nos esquecemos com facilidade. Ficamos pelo “satisfeito” e esquecemos que há mais, o mundo e a vida não é para ser tolerável, é para ser ideal e perfeita.
E, por incrível que pareça, nós somos o maior obstáculo à nossa felicidade. Esquecemos o que nos faz fortes: A União. A união é a chave mestra que abre todas as portas. Infelizmente, já nos esquecemos há muito disso. Neste mundo global, em que todos estamos mais perto dos outros, a indiferença impõe-se, por uma questão de necessidade: Temos medo dos desconhecidos, temos medo de ser socialmente inadequados, temos medo de parecer idiotas. E isso afasta-nos. Quebra a União, a colaboração, a luta em conjunto por um objectivo comum.
E é isso que vos quero pedir: Unam-se. Amem-se. Respeitem-se. Vamos deixar os pseudo-intelectualismos que atiçam o fogo do ódio sem acrescentar nada de novo ao mundo, vamos deixar os embaraços e vamos abraçar o próximo. Não vos peço fé, porque o que muda as coisas é a atitude. Nesta época festiva, vamos dialogar. Vamos falar com o vizinho que não gosta da nossa música alta, com o tio que já não víamos há anos, com o dono do café onde comemos. Vamos relembrar o essencial: O importante somos nós. Não as prendas, não o dinheiro, não o peru em cima da mesa.
Somos Humanos, com muito gosto. Todos iguais e todos diferentes. Nos respeitamos mutuamente, temos sentimentos. Amamos alguém. Somos fortes e fracos. E é com a União que suprimimos as fraquezas e potencializamos a nossa força.
Por isso, seguidores, falem. Digam olá aos amigos, convidem os primos para jantar. Expressem o vosso amor por aquele alguém especial. Dêem atenção aos pobres que estão nas ruas sozinhos, sejam eles mendigos ou cães abandonados, caminhantes ou peregrinos. Juntos, somos muitos. Juntos, com certeza 2012 será melhor.
Boas festas a todos.
O Mundo está em mudança. Estamos a passar por tempos difíceis, em que se fala muito de dinheiro (ou da falta dele). A crise da Zona Euro está a tornar-se cada vez mais perigosa, com países com a Itália a serem arrastados para a situação de Portugal. Os Estados Unidos, país pilar para todas as economias do planeta, já não são o porto-seguro que foram no passado. A instabilidade financeira é tema de conversa no café, no telejornal e no Parlamento. A comunicação social usa a palavra CRISE como combustível para audiências, enquanto os palpitólogos falam sobre como devemos reagir a esse bicho de oitenta cabeças. No entanto, nem tudo é desastre neste mundo: A China continua a crescer, assim como o Brasil, os Tigres Asiáticos, a Índia, entre outros. Mas há algo de muito estranho nesta história… Estamos a esquecer o que realmente importa aqui!
Passo a explicar: O dinheiro gira em torno do Mundo, e não o contrário. Não é apenas a Economia que determina a vida das pessoas (apesar de importar, claro está). A Liberdade, o Amor, o respeito, a dignidade, nada disso se compra com dinheiro. E é sobre isso que quer falar hoje. Estamos a passar por uma grave crise, algo catastrófico, mas não me refiro à crise económica. Todos os ideais pelo qual os nosso avós ou tios ou pais lutaram no 25 de Abril, tudo aquilo que desejamos quando acabamos com as Monarquias Absolutas, todos os pedaços de Liberdade que foram conquistado à força na maior Guerra que o Homem presenciou, TUDO está em causa. Os interesses do povo estão a ser postos à prova. Mas não de uma forma visível. Nada disso. Por detrás dos bastidores, onde nenhum comum engenheiro ou homem do talho pode ver, estão a acontecer coisas que severamente nos afectam, enquanto seres humanos pensantes e que sentem emoções que somos.
Começando pela crise económica da Europa: É verdade, o dinheiro está em falta. Gastou-se aquilo que não se tinha, e os oportunistas nos pregaram o calote. Não há o que fazer quanto a isso. Mas agora pergunto: será que o dinheiro vale mais do que eu? Do que tu, leitor? Creio que a resposta é clara. Temos que resolver os problemas, concordo plenamente, mas NUNCA pondo em causa a integridade do Humano, seja ele agricultor ou pasteleiro, advogado ou médico. Ninguém vale mais do que ninguém, e não somos nós que devemos pagar pelos erros dos outros. Erros dos nossos pais, erros dos governantes que mandaram nos nossos pais, enfim. Não há problemas na exportação que sejam mais importantes que uma ida ao Teatro com a amada, um passeio no parque com os amigos, um dia de reflexão na Biblioteca ou uma boa conversa no jardim com os mais velhos. Eu sou mais importante que a nota de 50 euros. O caro leitor também, assim como a avó do meu vizinho, o meu vizinho, o cão do dono da loja da esquina ou a senhora do 7ºA. Não faz sentido alguém ter que prejudicar a sua vida Universitária, não haver apoio ao glorioso Teatro Dona Maria II, não se ligar aos problemas que afectam o povo (como o desemprego, a criminalidade) porque todos os “esforços” são focados na resolução de problemas relacionados com o dinheirinho.
Outro assunto que nos pode afectar directamente são as Manifestações que ocorrem por todo os E.U.A, o movimento “Occupy”. São pessoas que, assim como eu, lutam pela sua dignidade, pelos seus direitos e contra a supremacia dos ricos (como as grandes multinacionais ou as instituições bancárias) face à classe média e à classe baixa. Infelizmente, os pacíficos manifestantes estão a sofrer. Porquê? As autoridades estão a usar o seu pulso-de-ferro, ignorando qualquer direito básico do ser humano, e a espancar e prender pessoas injustamente, confiscar objectos pessoais, a utilizar ARMAS DE AUTO-DEFESA contra manifestantes pacíficos! Catastrófico! A nossa comunicação social está a fazer um pobre trabalho em divulgar este tipo de informações, ao contrário do que fizeram durante as Revoluções no mundo Árabe. O que mudou? Sorte a nossa, temos as Redes Sociais, temos a Internet, um espaço livre onde podemos consultar as mais diversas fontes. Mas não por muito tempo.
Hoje, neste preciso momento, está a ser debatido nos E.U.A (terra da Liberdade e das oportunidades) algo que, se for aprovado, irá mudar a maneira de utilizar a internet. O Projecto de Lei PROTECT-IP, a censura da Internet torna-se não só possível, mas uma ameaça real. O objectivo é simples: dar às Corporações e ao Estado o direito de censurar sites que violem os “direitos de autor”. A Liberdade de expressão na Internet sempre foi a sua mais valia, e mexer agora com ela é desastroso. Sites como o Youtube, o Facebook, o próprio Tumblr, e até os motores de busca podem vir a ser alterados e, caso não o façam, completamente apagados! Isto vai de encontro com os interesses das grandes multinacionais e corporações, que procuram o lucro fácil, ignorando completamente os interesses e os direitos dos consumidores. Aliado a esta medida, existe a ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement), que se propõe a responsabilizar os ISP (quem vos fornece Internet) pelo que o utilizador faz na mesma. Qual é o resultado disso? Os ISPs ganham a autonomia de controlar e a fazer de polícia particular sobre todos os utilizadores dos serviços deles. A ACTA (que está a ser debatida às escondidas do público) vem ainda promover regras mais rigorosas de protecção dos “direitos de autor”, que podem-se aplicar a medicamentos, produções agrícolas, entre outras coisas. A consequencia, como é óbvio, menor Liberdade de expressão e, ainda mais grave, menor acessibilidade a recursos básicos como remédios e comida nos países em desenvolvimento. Tudo em nome das Corporações e dos “direitos sobre propriedade intelectual”, muito bonito. Faz-me lembrar um pouco a China, em que tudo é explicado com “em nome dos interesses do país”.
E aqui entra o último tópico: Desde quando aceitamos que um país como a China domine o mundo, que dite as regras do jogo e que seja a nossa “última salvação”? Nós somos pessoas informadas, somos seres humanos que respeitam os Direitos Humanos, a Liberdade e a Igualdade! Nenhum Governo autoritário tem o direito de explorar o seu povo, e nós enquanto consumidores dos produtos chineses, estamos a compactuar com a exploração do povo, com a opressão! O chinês é uma pessoa, assim como eu. Ele vale mais do que uma nota de 50 euros, assim como eu. Mas pior do que isso: porquê ninguém, seja na comunicação social, seja no nosso parlamento, diz algo? Há interesses económicos na China? Pois bem, nós, habitantes deste mundo, temos interesses humanísticos lá. Vamos lutar contra a opressão, vamos provar a todos os Ditadores disfarçados deste mundo que NUNCA a ausência de Liberdade traz progresso!
Desta forma, caro leitor, se te identificas com o que acabo de dizer, revolta-te. Mostra que és um Ser Humano, mostra que a vida é para ser vivida, e que nenhuma quantidade de dinheiro neste mundo pode comprar a felicidade do Homem. Vamos espalhar alegria pelas ruas, vamos dançar e cantar, vamos protestar e vamos exigir pelo nosso direito a ser feliz. Pelo meu, pelo teu, pelo do chinês e pelo do meu vizinho.
Viva a Liberdade.
Estamos em crise. Não há dinheiro para todos, o dinheiro não está bem repartido, o dinheiro isto e o dinheiro aquilo. É uma constante, o dinheiro. Influencia os trabalhos, influencia o acesso à educação e ao ensino, influencia a qualidade de vida dos povos e influencia a dignidade pessoal de cada um de nós. Somos todos vassalos do glorioso império do Todo-Poderoso “verdinho”. Ninguém escapa, sejam mendigos ou deputados. E nós, enquanto habitantes deste planeta que gira em torno do Capital, aceitamos isso. Os problemas já não passam por “não tenho comida” ou “sou infeliz”, mas sim “não tenho dinheiro para comprar comida” ou “o dinheiro (ou a falta dele) não me faz feliz”. Todas as soluções passam por juntar moedinhas, ganhar moedinhas ou, se forem os EUA, fazer mais moedinhas. E isto deixa-me triste. O poder humano é limitado pelo poder económico. Mas, pensando bem a fundo no “porquê” das coisas - porque pensar ainda serve para algo - o dinheiro não tinha sido inventado para trazer mais justiça às transacções? Bem, parece que isso já foi esquecido, e o dinheiro agora não é uma recompensa pelo trabalho e pelo esforço, nem um intermediário justo nas trocas. Agora o dinheiro é um veículo de acesso ao poder, é uma escada para a glória e para a boa vida.
Quem tem muitas moedinhas, manda. Nem sequer se questiona isso. O ser humano sempre gostou de ser hierarquizado, e agora estamos repartidos financeiramente. Quem tem mais posses financeiras, dita as regras e quem precisa de as cumprir. E foi exactamente isso que levou aos nossos problemas actuais. Todos os problemas económicos que estão a arrastar a Europa e todo o mundo desenvolvido pelo cano abaixo é essa relação de superioridade que as grandes instituições tem para com quem mais precisa de ajuda. Dou-vos um exemplo:
O Zézinho ganha 3 moedas por mês, mas precisa de 7 para alimentar a sua família, que é exigente. Através de muito esforço, o Zézinho consegue subir o rendimento para 4 moedas e baixar os gastos para 6 moedas, o que resultou em insatisfação no seu seio familiar. De qualquer forma, ele ainda precisa de 2 moedas para sobreviver. Então vem o Pedrão, que ganha 20 moedas por mês, e tem um milhão de moedas nos seus cofres, e diz “Olha, se quiseres eu empresto-te as 2 moedas que precisas durante um ano, mas depois tem que pagar-me com juros!”. Zézinho, incapaz de ver a sua família na miséria, aceita o negócio. Aperta ainda mais o cinto, e cortou a despesa para 5 moedas. Agora, com um rendimento total de 6 moedas por mês, sobra-lhe uma, que ele guarda para poder pagar ao Pedrão.
Pedrão, ao todo, emprestou-lhe 24 moedas ao longo do ano. Zézinho conseguiu juntar 20, com a ajuda de rendimentos dos filhos, que deixaram a escola para trabalhar. Pedrão, inseguro que Zézinho lhe consiga pagar, diz “Olha. não tenho certeza que me vás devolver o que te emprestei. Se quiseres, podes pagar ao longo de dois anos, mas com juros!”. Zézinho aceita o negócio. Os 24 já tinham juros, que agora foram aumentados. Quando Zézinho consegue juntar os 24 para pagar Pedrão, a dívida já é de 30 moedas, e sobe quase uma moeda por mês. Zézinho é então submetido à divida para com Pedrão, e o “aperto” de cinto tornou-se agora permanente. A única maneira de sair desta situação é pedir moedas a outra pessoa, mudando apenas a dívida de rumo. Mas como o Zézinho já tem fama de devedor, ninguém lhe empresta moedas sem por muitos juros em cima, por segurança. A vida de Zézinho está permanentemente prejudicada devido à importância do dinheiro no bem-estar da sua família. Se o mundo não fosse movido por interesse, mas sim por cooperação, Zézinho teria pago a sua dívida em 2 anos, o Pedrão não perderia nada e até poderia ajudar o Zézinho a subir na sua vida, utilizando os seus fundos como catapulta.
O caso do Zézinho é o caso de todos os países. O “1%” que manda em nós utilizando a sua soberania monetária não tem piedade de todos os outros que sofrem, fruto da sua ganância e sede por ter ainda mais dinheiro! É necessário alterar o sistema, acabar com os interesses financeiros e iniciar uma era em que o único interesse é viver bem e com dignidade, seja eu ou o Zézinho.
Isto é o principal problema actual. Mas há outro, que simplesmente aumenta a gravidade do mesmo. Somos nós, povo. Muitos não querem saber de nada, desde que tenham uma casa na praia e vodka no bar de casa. O sonho consumista ofuscou o sonho de um mundo melhor, e isso faz com que a pessoa não seja interventiva, não pense além das suas próprias posses e das paredes da sua casa. Nem lhe interessa, afinal entrar numa luta contra o sistema não é fácil, e traz mais infelicidade e desilusões do que alegrias. Faz sentido, mas simplesmente estão a cooperar, indirectamente, com toda a injustiça do mundo. Devem focar-se na mudança, mesmo que isso signifique ter alguns problemas e várias decepções.
Mas há outros, os “inconformados da treta”, como gosto de os chamar. Estão fartos de injustiça e de políticos, e todos são culpados de tudo, menos ele mesmo. Chama nomes à mãe do Primeiro-Ministro, passa mensagem de ódio sempre que pode e quer que alguém parta isso tudo. Usa as redes sociais para passar a sua mensagem revoltosa e lá vai disso! Mas esquece-se talvez do mais importante: As coisas só se fazem fazendo. Apontar problemas é fácil, vejam como o fiz em apenas menos de meia dúzia de parágrafos. Apresentar soluções, lutar contra os problemas e expôr ideias é que faz parte da evolução, é aí que reside a mudança. As redes sociais são uma grande arma, um veículo de informação fantástico, mas não é apenas com críticas que se resolvem as coisas: É necessário por a mão na massa, seja na tábua de protesto ou na massa cinzenta. Não digo que é preciso ir para a rua e fazer manifestações em frente ao Palácio de S. Bento (apesar de isso ser uma possibilidade, como os membros do Occupy Wall St. estão a mostrar ao mundo). Uma ideia num vídeo, uma carta para o Presidente, qualquer coisa. Uma acção que destrua é forte, mas é preciso criar, é preciso inovar! Tenham ideais, tenham objectivos, não se revoltem apenas por revolta. Revoltem-se pelo vosso futuro, protegam-se com o escudo da Justiça e ataquem com a Espada de algum ideal que defendam. Até podem estar errados, mas é errando que se aprende, e fazer algo é pelo menos mudar o que já existe, nem que seja um bocado pequeno.
Deixo então aqui a sugestão: Sejam críticos, olhem ao vosso redor e identifiquem o problema. Pronto? Isso foi metade. Agora pensem como se pode resolver esse problema. Sejam criativos, discutam com as pessoas, exponham o que vos passa pela cabeça. Sejam cidadãos deste Mundo em mudança, não fiquem presos no pequeno apartamento cheio de mobílias e com um poster do Johnny Depp ou do Eusébio sem fazer nada.
Algo de muito errado se passa com a sociedade. Parece que todos se esqueceram do que estamos aqui a fazer, de como se comportar de forma civilizada, o que é o respeito e a educação, e sobretudo, o que são valores e como os priorizar. Tenho andado atento aos pequenos exemplos que se encontram pela minha cidade e pela internet, e logo aí verifiquei que algo de muito errado se passa com a sociedade.
Primeiramente, a geração que já passou, a dos idosos. Estão absolutamente parados no tempo. Olham o mundo com aqueles óculos de nostalgia que faz o passado pareça cor-de-rosa, quando na realidade é cor-de-fome, cor-de-miséria, cor-de-guerra e cor-de-desgraça. É uma infelicidade tremenda, ver que os mesmos que andaram a lutar para podermos viver agora numa sociedade livre, recusam o progresso e saúdam os velhos tempos. Coitados, quem os pode culpar? Vítimas de lavagem cerebral na escola, vítimas de falta de atenção depois de reformados, estão resumidos a viver na solidão, com a sua pensão reduzida que não chega para os medicamentos. Como se pode criticar uma geração que fez todos os possíveis para que hoje pudéssemos viver com dignidade, com direitos e com educação.
Em seguida, temos a geração adulta. Dos 30 aos 50 anos, são a classe activa do país. Os pais e os tios dos mais novos, educadores e trabalhadores, enganados e explorados pela “nobreza governativa”. Com a sua carga horária absurda, produzem o suficiente para manter a família com comida, casa, carro e tabaco durante o mês que corre. E os seus filhos? Segundo plano, é melhor ter um filho com défice de atenção do que com défice de nutrientes. Devido a isto, é preciso impor respeito, e o autoritarismo reina na casa. “Faz como eu mando e acabou”. E, para compensar os cortes na atenção, entopem as crianças de prendas, incentivando a produção e a educação a troco de bens materiais. Pois claro, não fossem os adultos de hoje em dia altamente materialistas: Manter o carro polido é mais importante do que ter uma Floresta protegida, e não há problema nenhum em matar um cão se ele urina para a roda do automóvel. De cigarro na boca e cafézinho depois do jantar enquanto os filhos choram porque não querem comer a sopa, vêem o jogo do Benfica na TV, esquecendo durante 90 minutos que o mundo em que vivem está a colapsar. Mas quem os pode culpar? Constantemente pressionados por filhos, governo, patrões, por uma sociedade inteira que os avalia mais pelo valor da casa do que pelos valores que trazem da mesma. Inundados de problemas, preferem ignorar tudo, continuar a rotina trabalho-futebol-cama e não se preocupam muito com as coisas, pelo menos todos estão vivos e com roupas para vestir amanhã.
E daqui nasce a geração de futuros trabalhadores. Os adolescentes, cada vez mais revoltados e que se esquecem de como se vive. Os ténis da Maria não são de marca, e vai de lhe chamar nomes. A Francisca levou um decote grande para a escola, e vá de chamar nomes ao namorado dela. Os jovens portam uma habilidade impressionante de excluir pessoas, e constantemente aplicar a selecção natural em ambiente escolar. Absolutamente desinformados, a única literatura que interessa é a cor-de-rosa, e raios partam os que tentam ser diferentes. Uma luta de espécies é formada no seio da escola, com as raparigas mais revoltadas a humilhas as certinhas no portão da escola, enquanto as certinhas chamam nomes às revoltadas pela internet, pelo facebook ou outra rede social. A vida divide-se entre a Rede e a Escola, com saídas nocturnas regadas de barulho e álcool. Provam que são crescidos com as suas roupas avant-garde, com a vodka que bebem sozinhos. Mas o que é um deputado? Nem sequer lhes passa pela cabeça. São uma geração à rasca, com uma falta de noção da actualidade preocupante. Mas quem os pode culpar? O carinho sempre lhes foi transmitido através de bens materiais, não será de esperar que os valorizem acima de tudo? Enchem o horário escolar com quase manhã e tarde cheia, cinco dias por semana, e se não enche os pais pagam uma explicação para subir o 9 a matemática e poder ir ao Sudoeste para o ano. Cultura? Nunca lhes foi incentivado o interesse, como se pode exigir algo deles se nunca tiveram oportunidade de provar o que esse belo alimento é?
Em seguida, temos as crianças. Desde que nascem, são mimadas, são o centro das atenções, sobretudo da atenção da televisão. Deixa-se a criançada em frente da TV durante algumas 12 horas por dia, para deixar os pais sossegados a fazer os serviço. A ver a programação retardadora de canais infantis que conseguem fazer desenhos animados que emburrificam os pequenotes. Alguns vão para a escolinha de música, para ser o palhacinho da reunião de família e tocar algumas coisinhas à frente dos adultos, e receber aquela ovação de 9 ou 10 pessoas, que nunca se perguntaram se essa criança é feliz, ou se gosta de tocar ao pé de tantas pessoas. “Se não tocas, não vês TV!”. O futuro avizinha-se negro, e podemos ter uma geração de adolescentes ainda menos capaz do que a actual? Mas quem os pode culpar? A escola super facilidade, a TV constante, tudo contribui. São os bobos-da-corte até aos 10 anos, e depois são renegados para o segundo plano, potencializando a revolta, e uma geração… rasca.
Por fim, temos quem manda nisto tudo. São eleitos pelos nossos caros adultos, e depois mandam-nos trabalhar como burros. Tudo pelo bem maior, dizem, enquanto cortam com subsídios aos bons alunos, cortam com os incentivos e apoios aos trabalhadores, cortam a qualidade de vida de todos. Mas sobe-se muito também! Sobem os impostos, sobem os juros, sobe a importação e sobe a bandeira da manifestação, mas essa não faz nada. Quem manda nisto não tem outra solução, é o trabalho deles mandar, e para mandar é preciso alguém para obedecer. E os limites apertam, enquanto os mais ricos só apertam o cinto do avião para outro país. Mas que podem fazer os políticos? Sofrem pressão de ONUs, do povo, de UEs e de FMIs. Foram eleitos com a intenção de serem o Jesus Cristo que vai salvar o país da miséria, e quando a verdade vem ao topo, a única solução é apertar, ou com uns ou com todos. Se há outras possibilidades, outras pessoas com ideias diferentes? Não sei, a maioria portuguesa não deixa esses pequenos heróis falarem, porque nas urnas é sempre o mesmo.
Por fim, pode-se concluir que afinal, não estamos em crise, nem financeira, nem de valores. Ninguém é culpado de nada! Mas todos são culpados de tudo, de forma indirecta. E é com esta impossibilidade de responsabilizar alguém que nos afundamos mais. Afinal, é preciso haver um Anti-Cristo para simbolizar toda a maldade que existe, certo?
A Internet é um espaço público. Todos entram, todos saem, todos podem consultar os materiais que nela são divulgados. É um verdadeiro País, um veículo de informação e serviços gratuito, sem censuras e de fácil acesso. Mas, como qualquer coisa que exista neste mundo, com todo o progresso vem um efeito colateral brutalmente negativo, ou idiota. Ou os dois. E é exactamente sobre isso que vou falar hoje: A idiotice que paira na Internet, mas propriamente no Facebook. E ainda mais propriamente num determinado Movimento, que já irei mencionar
Com a massificação da Internet em Portugal (preços acessíveis, projectos E-Escola, entre outros), a juventude propagou-se pela Rede como uma verdadeira Peste. Não querendo com isto dizer que não havia imensos jovens na Internet antes! Antes toda essa juventude do Futebol, novelas e pouca informação estava espalhada um pouco por todo o lado, assim tudo muito disperso. Foi no Hi5 que começou o drama. Todos se juntaram, e como qualquer bom português, cuscar a vida dos outros passou a ser rotina (não tivesse o Big Brother ou a Casa dos Segredos tanta audiência). Ver se a Albertina namora com o Manel, ver se o Manel já diz à Albertina “amo-te” com dois arrobas (ou um, se a relação não for muito séria) no perfil dela, etc. Mas, pouco a pouco, o Hi5 foi-se indo. Mas eis que de repente, entra uma nova fornada de “putos” na Internet! E-Escolas, Meos, enfim, tudo à mão de semear. E foi nesta altura que se verifica o Êxodo Highfiveano. Todos começam a migrar para o Facebook. Os mais bravos, a “elite” da Internet começou a colonizar o dito há já muito tempo, mas só agora é que começou a migração em massa. Aos Maneis e Albertinas juntaram-se os Paulinhos, Ricardinhos e todo o tipo de gente que se possa imaginar. Com tanta competição e pouca instrução nas Regras de Etiqueta da Internet, as pessoas começaram uma verdadeira Batalha por atenção virtual. Vale tudo: Copiar frases “profundas” e dizer para dar “gosto”, mandar piadas sobre o Porto, entrar em relações com as amigas apenas porque apetece. Mas isto não é suficiente. Só existe uma coisa neste mundo que atraí todos os olhos do nosso país. Seios. Rabos. Decotes. Gajas. Quanto mais pele à mostra, melhor. As raparigas, pouco cientes da exposição existente na Rede, mostram as suas belas curvas em fotos pouco inocentes, dos melhores ângulos possíveis. Os gajos babam-se, e as outras raparigas espumam-se de Raiva, e começa aqui uma competição de popularidade.
E é neste ambiente de rabos virtuais e sémen no teclado que surge um movimento contra tudo isto. Raios, será que as pessoas começam a se preocupar com a Netiqueta? Na verdade, não. O Movimento Anti-Pitas resume-se a pegar nos exemplos mais chocantes da exposição corporal Facebookiana e mete uma ofensa por baixo. E, como ser do contra é fixe, mil pessoas fazem gosto, mil pessoas chamam nomes às raparigas que mostraram mais do que deviam. O exemplo claro de Elitismo Virtual. Mas, será que os participantes deste grupo são realmente assim tão superiores? Vejamos alguns exemplos de escrita destes verdadeiros génios da Rede:
“Duarte Ferreira as putas andam a ganhar pouco …
23 hours ago · Like · 105 people”
“Daniel da Cunha esta xavalada leva pouco… 1 ,2 euros ja xega para elas… por isso ainda deram algumas..”
“Ca’tia Gonçalves Como é que os ganhas te? ^^ LOL
20 hours ago · Like”
“Ines Silva ah!!! entao ja sei pq é q muitas vezes as casas-de-banho cheiram mal… :x”
Fantástico. Um sentido de humor no ponto, uma escrita fabulosa. Os prodígios da cave batem palmas para a exposição de exemplos negativos neste grupo brilhante que se propõe a humilhar apenas um tipo de pessoa. Atenção, eu sou completamente a favor do humor e de que se leve tudo na brincadeira. Posso fazer hoje uma piada de pretos, e amanhã de brasileiros (sendo eu Brasileiro), mas parece-me que dedicar aproximadamente 500 fotos de perfis privados/públicos sem a autorização das “modelos” parece-me algo um bocadinho, não sei, talvez um bocadinho idiota. A suposta superioridade destes sobre-dotados reflecte-se na escrita deles, que apesar de tudo recorrem à piadola fácil para ter os 15 minutos de fama. Não estão eles a fazer o mesmo que as “pitas”? A buscar atenção? Só que de facto, como não possuem os atributos (ou a coragem de por as tetas em público) para o fazer. Não pretendo com isto dizer que as raparigas de busto considerável fazem bem em expo-los para ter mais 15 ou 20 e-amigos, mas quem faz isto acontecer são as pessoas que vêm e gostam do que vêm. E dos que divulgam.
É claro que ambos os lados aqui estão errados. Mas o que mais me intriga mesmo nesta história são miúdos fixes que subscrevem e comentam neste Grupo. Porque sempre se recorreu ao corpo para se ser famoso (veja-se a profissão Modelo, ou até as prostitutas), mas quando a culpa disto acontecer é dos mesmos que criticam este tipo de situações, e ainda por cima não lutam por alterar algo, mas sim humilham quem o pratica, é deveras… retardado.
Uma boa continuação de dia.
O mundo pára. Os pobres, os ricos e os assim assim largam as suas foices e as suas acções por algum tempo. Tempo para, como o mundo, parar os parados, os movimentados, os alienados e os desinteressados. Só não param os avançados, que esses precisam meter as bolas na baliza, para deixar feliz o expectante admirador do desporto-rei.
E começa o jogo, que como uma bomba de gás, esconde todos os nossos problemas, e até parece que eles deixam de existir. O revoltado e o conformado se abraçam, se esmurram e se empurram durante a partida, esquecendo qual é a causa da sua luta. Mas isso não perturba a felicidade do cidadão, que habita no campo ou na cidade e vive na precariedade.
E vamos para o intervalo. As casas de apostas enchem, recheiam os bolsos à custa dos pouco parvos que pretendem ganhar uns trocos extra com o seu desporto favorito. Génios que investem na sua atracção favorita, ganham pequenas fortunas que dão até para pagar uma grade de cerveja para o pessoal, o pessoal que anda bem, o pessoal que anda mal, mas que come tremoços e bebe uma imperial durante este momento de pura emoção nacional.
E termina o encontro. As equipas se despedem, os adeptos se despedaçam. Defendem o seu clube, lutam por ele, vão presos por ele. Oh, como é bom, a alegria de um jogo de futebol, que culmina num glamoroso espectáculo de pancadaria e violência, completamente indispensáveis para a apreciação deste jogo.
Como é belo, um dia de Futebol.
O meu estado emocional anda alterado. Não estou 100% sério e triste, como estava antes, o que faz com que as minhas postas percam toda a piada e a revolta. A revolta é o tempero, o prato e a carne no meu prato de letras. Posso dizer, portanto, que agora as postas vão ser bastante hippies: vegetarianas e devoradas com as mãos no meio da floresta, num acampamento no final do nada, nas fronteiras com a outra dimensão.
Deixo, desta forma, um sincero pedido de desculpas ao meu caro e-amigo Rodrigo “Deus Ex” por ter duvidado da sua teoria, que nos diz que uma pessoa pode afectar directamente na felicidade de outra, fazendo com que a felicidade se torna um factor externos e que para se ser feliz passamos a depender desse mesmo factor.
P.S: Hoje encontrei um quinto dos meus seguidores na escola. Eu reconheci-os, eles não me reconheceram. Este é o comum caso em que o artista reconhece os fãs mas os fãs nem sabem quem é o artista.
Não vou falar sobre a situação política de Portugal. Sei que vós, incontável plateia de leitores, queriam, mas não. Já fiz uma posta muito séria, vamos ser um pouco mais brandos agora, até porque o que não faltam são pseudo-intelectuais para nos explicar, como se nós fossemos muito burros, detalhe por detalhe sobre o assunto. Explicam, moldam opiniões, o costume, portanto.
Hoje vou-vos contar o meu dia. Acordei à 9, como o costume, para ir ao Ginásio. Esqueci-me, no entanto, que o meu companheiro (o “camarada”, como lhe chamo) ia a uma festa qualquer e não podia ir comigo. Desisto da ideia, deito-me no sofá e fico a ver os nossos belos politólogos a educar a opinião dos mais preguiçosos. Fartei-me, como devem calcular, e fui tentar tocar guitarra. Tentativas frustradas à parte, consegui fazer uma sequência de 6 notas que acho que são novas e que soam bem! Ajoelhem-se perante a minha magnificência! Pousei a guitarra, e com a graça e a compostura de mil elefantes, tropeço no meu cão e caio. Devido aos meus reflexos fantásticos, agarro-me à guitarra, e a pobre cai em cima de mim. O cão olha, com vergonha e pena do seu dono.
Após o almoço, dirijo-me à escola. Vou-me encontrar com uma rapariga para ir estudar. São 13:35, combinamos às 14:20. Mas acho que ficou mal combinado, visto que nem eu, que costumo ter uma óptima memória, me lembrei do dito encontro até depois do almoço. Bem, que importa? Não tenho mais que fazer, e decerto que encontro alguém antes das 17:00, que é a hora da minha primeira e última aula do dia.
Entro na escola, fico perto do portão. As pessoas passam apressadas, já é tarde. Debaixo de um abrigo, ouço Pink Floyd e relembro-me o porquê de ter ficado tão triste por não ter ido ver o concerto do génio por detrás do The Wall. Passam 30 minutos, são duas horas. Ainda é cedo, ela pode aparecer.
São duas e meia.
Duas e quarenta.
Duas e cinquenta.
Três. Ela não vem. Cada carro que passa poderia ser o dos pais dela. Mas não eram. Enquanto eu esperava, caminhava em círculos no meu pequeno espacinho, onde a luz do Sol não em incomoda. Estou a ouvir Radiohead agora.
Três e meia. Estou triste. Os estudantes que não estudam estão lá em baixo, a observar a minha triste figura. Sinto os risos, mas não os ouço. Oh, que castigo! Mas vejam, vem aí o presidente da escola. Ele cumprimenta-me, fica perto de mim alguns minutos, junto com o resto da administração da escola. Falam sobre assuntos importantes, demasiado importantes para alunos. Retiram-se.
Três e quarenta. Ela não vem. Vou para o café, compro algumas pastilhas. Triste, mas agora “alimentado”, deito-me em cima da minha mala, nas escadas de um prédio. Começa a tocar Post-Rock no mp3. Oh, que escolha tão propícia! Cada nota da guitarra, cada escala, cada batida da bateria desenha-se na minha mente, que as projecta no céu, levando-me para um outro mundo, um mundo onde não existem esperas, nem escadas. Só eu, numa ilha deserta e chuvosa, contando os belos sentimentos que existem na vida. Oh, e são tantos!
Quatro e meia. Ela não veio. Esquecido debaixo de um prédio, esqueço-me que ainda estou na Terra. Aproximam-se três raparigas, que se sentam do outro lado das escadas, para fumar. Fico incomodado com os olhos delas, pois agora sei que estão ali. Sento-me, levanto-me, retiro-me. Entro na escola, dou uma volta. Compro uns papeis com o troco das minhas pastilhas, e vou para o portão.
Lá estava ela, mais uma colega de turma. São cinco horas. Ela finalmente veio. Conto-lhe a história, de uma forma casual. Não preciso de pena. Mas preciso de atenção. Soube, no entanto, que houve uma festa de turma. Eu não fui convidado, nem ela. Nem mais uns 5 colegas. Fomos excluídos. Que dia tão triste, o meu.
Seis e meia. O dia escolar acabou. Como, faço as obrigações. Venho para o computador, pesado e desiludido. Amanhã terá que correr melhor.
Céus, como estou farto de ouvir falar em professores. É greves de professores, corte no número de professores por escola, professores agredidos, professores agressores, professores que não dão aulas, professores isto e aquilo. Hoje em dia, os pais preferem ver a filha casada com um homem do lixo do que com um professor, porque pelo menos o homem do lixo recebe sempre uma x quantia, não precisa ir para Lisboa de 15 em 15 dias para as Manifestações e não apanha graves depressões na altura dos Exames e do final do ano. Como é custosa, a vida de um professor! Carregam nos seus ombros o peso do Futuro. E que futuro pesado, o nosso! O nosso futuro sofre de obesidade, e está a ficar muito pesado para os finos braços dos famintos professores, que só não morrem na miséria porque o funeral sai caro. E, apesar de tudo, ainda são completamente responsabilizados por todos os problemas da nossa geração.
Mas eu sei de quem é a culpa, meus caros! Eu sei o porquê por detrás de uma geração “revolta de comando na mão”! A culpa é toda do triângulo.
No primeiro ângulo do triângulo residem os mesmos professores mencionados no primeiro parágrafo desta minha pequena posta. É como um pilar velho duma estrutura antiga, mas muito bela. Outrora já foi resistente e útil, mas hoje só serve de comida para os insectos que “parasitam” a madeira. Não podem ser responsabilizados, coitados, mas sem dúvidas que o problema também passa por eles.
De seguida, temos o ângulo dos encarregados de educação. Oh Deus, os pais de hoje! Atiram toda a responsabilidade educativa dos seus mal educados educandos para os educadores da creche, depois para os professores, que não passam de educadores da creche v2 e por fim para uma mulher/homem que os ature. Ignoram completamente o que os filhos precisam, que é uma boa conversa, e compensam a ausência do diálogo com umas notinhas, umas televisõezinhas, uns brinquedinhos, seja aquilo que for. Mas valha-me nosso senhor se alguém os critica! Tratando os filhos como se de uma propriedade privada se tratassem, fazendo, desfazendo e voltando a fazer um sem-número de regras e punições para quando o pequeno “dá trabalho”. E nesse jogo vale tudo: chantagens, porrada, stress psicológico ou, no outro lado da moeda, prendinhas todos os dias, inexistência de conversa entre gerações, meter o puto na casa da avó/tio/amiga das 8 às 8, entre outras. Mas afinal, o que se pode fazer? Se o pai ou a mãe não trabalham 12 horas por dia perdem o emprego e deixam o filho que tinha falta de carinho com falta de nutrientes.
No último canto do triângulo (que se encontra todo graffitado, por sinal) temos os próprios jovens, o nosso futuro. Respeito pelos mais velhos? Inexistente, afinal nunca lhes foi dado uma oportunidade de ser realmente respeitado entre os adultos, porque cargas de água deverá ele respeitar os adultos agora que já se encontra inserido numa sociedade? Um adolescente é um espírito livre, e agora que já está livre das paredes do seu quarto e da sua televisão LCD 59” onde via a TVI e o Canal Panda durante 12 horas, ninguém o pára! Desrespeita a autoridade para mostrar a sua “fixeza”, tira negativas para mostrar a sua revolta contra os tiranos professores que o querem obrigar a ser inteligente, vejam só o tamanho da catástrofe! Mas não faz mal, o adolescente sabe combater esses opressores! Munidos de borracha partida ou papel rasgado, fuzilam completamente o tecto, os colegas e o quadro enquanto os professores estão de costas. Super efectivos, estes estrategas! Mas há mais! Depois de um “round” contra os professores, é preciso enfrentar os pais, que querem, veja-se, impor o respeito que nunca antes tinham tentado fazer! Mas o adolescente não falha, meus caros! Ele grita, chora, recusa-se a comer e usa a sua arma secreta: a birra. E funciona, o temível inimigo cede e dá-lhe a PSP9000 e o deixa passar a madrugada na casa do “sócio”! Oh, como são graves, os problemas no lado da minha geração. Mas também, que podem eles fazer quando nunca tiveram uma prova de afecto pelos pais, uma conversa em que os seus direitos e as suas vontades fossem expressas?
E é isso meus amigos, o triângulo da geração rasca, com muita tasca e pouca descasca.
Sugiro ao Ministério da Educação que retire geometria das escolas, assim o problema nunca será exposto desta forma e, consequentemente, deixará de existir, assim como encher os professores de burocracia sempre que querem chumbar um aluno ira reduzir o insucesso escolar.